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OXENILOGBE OXEGBE

 

REZA DE OXENILOGBE

Oxenilogbe otolaiye adifafun Oluwo Bueré. Ikú ko pa mi, ko pa mi, arun ko pa mi, ko pa mi, ejó ko pa mi, ko pa mi, Ogu ko pa mi, ko pa mi.

Este Odu é filho de Oxe e Ogbe.

Aqui nasceram os assobios e os zumbidos.

Os filhos deste Odu são traiçoeiros e maliciosos, por este motivo, não se confia a eles os segredos de Ifá.
Tendem a viver por longos anos e devem tomar muito Sol. Neste Odu nasceram os surdos-mudos.
Por este caminho falam as Ajés voadoras.

Assinala guerra com mulher feiticeira, bruxa ou macumbeira.

Aos Awo deste signo ensina-se pouco ou não se ensina nada, pois nunca acreditarão em Orunmilá e tornar-se-ão inimigos de seus mestres.
Quando os Odu foram chamados por Olodumare para fazerem, cada um, um pedido, Oxenilogbe disse: "Desejo que nunca me falte a comida". Por este motivo, nunca falta o alimento para seus filhos.
É um Odu de reis e governantes, neste caminho Oxun governa Xangô. Aqui se tocaram os tambores pela primeira vez.
Quando a mulher do Awo deste signo estiver grávida, tem que fazer três ebó.

O primeiro logo que descobrir a gravidez, o segundo no terceiro mês e o terceiro no nono mês. No ebó, seu ventre é pintado com a representação dos dezesseis meji com efun, apaga-se com otí e se oferece um pombo ao ventre. Isto é feito para evitar que a criança nasça com algum tipo de anormalidade.
Aqui Elegbara caiu em três armadilhas, tendo se safado pelos seus próprios esforços das duas primeiras, da terceira, no entanto, só conseguiu se livrar com a ajuda de Obatalá.


 

Quando este Odu sair na consulta de um cliente, não se deve ensinar nada a ele sobre a religião, pois certamente ele irá cometer uma traição contra o adivinho.
Assinala que quando a lua entra em quarto minguante, a mulher entra no sío, seu desejo sexual aumenta e fica necessitada de homem.
Aqui nasceu o segredo do êxtase do couro cabeludo, que faz com que a pessoa adormeça quando alguém lhe coça suavemente a cabeça.
Faz-se borí com um pargo grande que depois é atirado ao mar com tudo o que foi utilizado na cerimônia.

 

EBÓ PARA MELHORAR A VIDA E A SAÚDE.

Pega-se dois ramos de flores, leva-se a um cemitério, arria-se o primeiro numa sepultura humilde e o segundo numa sepultura rica. Depois, a pessoa volta à sepultura  humilde e troca de roupas, deixando ali as roupas que trajava quando entrou no cemitério.
Se o pai da pessoa já for defunto, sacrifica-se para o Egun, um galo branco aos pés de um iroko. Leva-se a ave sacrificada para casa, cozinha-se com arroz amarelo e se leva novamente aos pés da árvore, entregando ali o sacrifício.
Este Odu assinala que a pessoa pode perder a visão, para que isto não aconteça, tem que fazer Oxun que é o seu Orixá.


 

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I I    I I OXEYEKU

 

REZA DE OXEYEKU

Oxeyeku boru, boxe. Yeku ibaí boro ona Obaiye bi Ifá. Oxeyeku bawaye be Ifá jonjo odara moloni, mololun Inle. Elegbara Oxeyeku Bawaiye be Ifá.

Este Odu é filho de Oxe e Oyeku.

Neste Odu miséria e necessidade caminham juntas.

Oxeyekú é o chefe dos Baba Eguns no araoní e por este motivo tem que ser inscrito no opon na atena de oparaldo2 .
Este Odu é caminho de Iyemanjá e Aganjú.

Suas folhas são a ewe guna (Hura crepitana), malva e beri ógun (Tribulus cistides). A pessoa tem que tomar borí oferecendo um peixe fresco à sua cabeça.
Tem que lavar a cabeça e tomar banhos com três folhas de Iyemanjá. Tem que assentar Olokun, Orixaoko, Osain e Azawani.
Foi aqui que os Bokonon3, que não tinham Orixá, tiveram que assentá-los para que os
acompanhassem.

 

 

 

 

 

 

  1. - Marcação de diversos Odus feitas sobre o oponifá quando se vai proceder a um determinado tipo de ebó.
  2. - Termo fon que tem o mesmo significado de Babalawo em yorubá.

 

Determina que Osain acompanhe cada um dos Orixás, o que significa dizer que cada Orixá possui um fundamento com Osain.
As moscas quando pousam sobre a mesa, fazem-no em grupo e, quando são enxotadas, fogem em grupo.
A pessoa não deve andar em grupos, pois somente se prejudicará com isto.

Tem que ter cuidado porque pode ir a um lugar e tornar-se presa de alguma coisa. Sofre influências nefastas de olho-grande.
Pode matar alguém por causa de uma mulher. Tem que andar atenta para não ser roubada.
A mulher deve ter cuidado especial com os seios.

Neste Odu assenta-se um Egun cujo nome é Baba Ore Ore. Fica dentro de uma panela de barro com um pedaço de osso humano, um okutá e terra colhida em três cemitérios.
Num pedaço de pano preto marcam-se os signos de:

Oxeyeku  - I I    I  e Oyekuxe -    I    I I
I I  I I                      I I  I I
I I    I                        I    I I
I I  I I                      I I  I I

 

Em cima da panela coloca-se um boneco de cedro com braços e pernas articulados e vestido de azul. Com o pano cobre-se tudo. Come um galo e dois pombos pretos.
O homem maltrata seu filho porque duvida da sua paternidade.

Se o cliente que se consulta for homem deve tomar cuidado com o marido de sua
amante.

Este Odu fala de pessoa irresponsável, vadia e que não gosta de trabalhar.

 

EXU DE OXEYEKU (BAUWÁIYE).

Numa panela de barro coloca-se: sete pedaços de arrecife, sete diferentes tipos de madeiras sagradas; limalha de bronze, limalhade ferro e limalha de cobre;  sete  imãs, sete búzios, 21 ikins, sete espadinhas de ferro, três tridentes de ferro, obí, bejerekun, osun, orogbo, pó de ekú e de ejá, epô, sete grãos de milho seco e ori-da-costa.
Ao ser assentado come um pombo preto cuja cabeça e vísceras ficam dentro da
massa.


 

 

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I I    I I OXEIWORI OXEPAURE

 

REZA DE OXEIWORI

Oxe Paure Yeyere Yewará omi Abanxelú Ofito. Mojá lodafun Oxe Paure.

 

Este Odu é filho de Oxe e Iwori.

É um signo de mal-agradecidos e de traições. Aqui se faz comercio com os segredos de Ifá que são revelados às pessoas não iniciadas.
Não se respeita os Orixás, a nada nem a ninguém. O único objetivo é a obtenção de poder material e financeiro.
As pessoas deste signo não dão assistência nem atenção aos seus pais e só se lembram deles quando precisam de alguma coisa.
Assinala problemas de vistas, sangue, artrites, bursites, pernas e pés.

Assinalam bruxarias, atitudes violentas, dívidas com Oxun ou com outro Orixá e destruição do lar.
A vaidade é o maior osogbo deste Odu.

A pessoa tem que aprender a respeitar os pais, os Orixás e os mais velhos na
religião.

Tem que ser mais humilde e agradecido para não se perder na vida. É caminho de Orunmilá, Iyemanjá, Obatalá e Xangô.
Por aqui fala Egun e o próprio Olofin.

Suas folhas litúrgicas são a clavelina, o girassol (Helianthus annus), o ewe exin  (Maloja) e o afomam.
Neste Odu foi construída a porta do céu.

Os filhos deste signo devem usar um colar de pérolas.

Aqui  os  homens  edificaram  altares  para  adorar  os  deuses.  Nasceram  todas   as
religiões.


 

O Awo deste Odu tem que ter marfim e prata dentro de seu Ifá. Quando comer tem que oferecer suas sobras a Egun.
As pessoas deste Odu têm que ter muito cuidado para manterem seus filhos ao seu lado, pois, por falta de dedicação e de atenção, eles se dispersam pelo mundo.
Têm que respeitar seus semelhantes para não serem desprezados por todos. Este é um Odu exclusivamente de Egun.
Ensina que Olofin e Orunmilá são aqueles que tudo sabem. Em Oxeiwori falam sete dores e oito virtudes.
Quando este Odu surge em atefá, o padrinho e o Ojugbona têm que oferecer um ejá oro4 aos seus respectivos Ifás; e o afilhado tem que fazer o mesmo assim que receber Kuanado.

 

ITAN DE OXEIWORI

Naquele tempo a fome assolou a Terra e todos se lamentavam da falta de dinheiro para adquirirem alimentos.
Foi então que todos resolveram reunir o que possuíam para fazerem compras de alimentos que pudessem ser divididos.
O proprietário do armazém, desconfiado das pessoas de aspecto miserável, negou-se a aceitar o seu dinheiro, alegando que aquelas moedas, provavelmente, seriam falsas.
Foi então que, quando o desespero já se apossava de todos, surgiu uma anciã que metendo a mão na própria bolsa, dela retirou dinheiro para pagar o alimento daquelas pessoas que, depois de comerem, dissera: Graças à Deus já não temos mais fome!
E a velha revoltada retrucou:

- “E a mim, não dão graças por haver-lhes dado o dinheiro para a comida? Vocês não passam de mal-agradecidos e, por este motivo, eu os amaldiçôo para todo o  sempre. Só poderão se livrar desta maldição no dia em que aprenderem a reconhecer e a agradecer a quem lhes fizer o bem”.

 

 

 

  1. - Peixe bagre

 

 

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OXEDI

 

REZA DE OXEDI

Oxedi oko mode adifafun Orunmilá Oni Barabaniregun Ifá Nire. Ifá kaferefun Iyalode ati Obini.

Este Odu é filho de Oxe e Odi.

Para nascer tem que fazer ebó, para morrer tem que fazer ebó.

Aqui nasceu a inconformidade da mulher fazendo com que não exista homem que   a
satisfaça.

Tem que se cuidar muito das pernas.

O Elegbara deste Odu chama-se Lalafan e sua função é limpar e desfazer o mal. A pessoa tem que usar fio de contas da Oxun.
Osain tinha 201 filhos dos quais, 101 eram maus e 100 eram bons.

A pessoa nunca se preocupou em cultuar Orixá e agora, que está com grandes problemas, recorre a eles em busca de solução e de dinheiro.
Carrega uma carga nas costas pesada demais para sua resistência e que lhe foi imposta por Xangô.
A pessoa é a luz da rua e a obscuridade de sua própria casa. Tem que ter cuidado com desgostos ocasionados pelos filhos.
Em seu caminho vem uma sorte que só se realizará depois que caírem três aguaceiros. Para que a sorte se concretize, não pode se molhar nem deixar que a chuva lhe caia em cima.
Deve se preparar porque está vindo muito trabalho. Está sofrendo críticas de alguém que irá precisar dela.
Xangô avisa que não se deve pedir tanto por dinheiro porque pode servir para  pagar o próprio funeral.


 

Tem que dar graças à Oxun. Ela espera que a pessoa cumpra suas obrigações   para
com ela.

É preciso assentar Elegbara e Orunmilá. Se for mulher:
Assinala gravidez.

Anda mal desde que teve contato com um homem. Deve prestar atenção no seu fluxo
menstrual.

Cuidado com uma mulher que freqüenta sua casa e que é invertida, para que não haja confusão com seu relacionamento com ela.
Assinala enfermidades no ventre que podem ocasionar intervenção cirúrgica. Se for homem:
Assinala problemas com as pernas e os pés por permanecer muito tempo em pé.

Tem que fazer ebó para recuperar a virilidade que anda meio enfraquecida: Um galo, dois pombos, uma quartinha com água de chuva, um alfanje, dois ilú e uma corda virgem do tamanho da pessoa.
Olofin mandou três chuvas sobre a Terra. Na primeira, caíram pedras preciosas, jóias, pérolas, etc. e todos saíram recolhendo os tesouros, com exceção de Orunmilá.
As pessoas então disseram: "Que grande tolo! Por que perde a chance de ficar rico?"

Com a segunda chuva, caiu muito dinheiro, moedas de ouro prata e cobre, e mais uma vez todos saíram recolhendo o que podiam e, como da vez anterior, Orunmilá nem se abalou de onde estava e então as pessoas disseram: "Como é bobo, não liga para dinheiro, e sem ele não se pode viver!"
Na terceira chuva que se abateu, só caíram armas. Lanças, arcos, flechas,   espadas,
etc.

Desta vez, ao contrário das outras, ninguém se preocupou em recolher o que havia caído do céu, com exceção de Orunmilá que, desta forma, ficou dono de um grande arsenal.
Tempos depois, Orunmilá treinou e armou um poderoso exército que, dominando o povo obrigou-o a pagar tributos e desta forma, Orunmilá tornou-se dono e senhor de toda a riqueza que os outros haviam acumulado.


 

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I I   I I OXEROSUN OXELESO

 

REZA DE OXEROSUN

Oxeleso olalu firi adifafun bá ale ile korugbo ire obo eiyelé lebó. Kaferefun Exú ati Iyalode.

 

Este Odu é filho de Oxe e de Irosun.

Fala de heranças e afirma que tanto se herda o bem como o mal. É caminho de Egun Arere.
O homem gosta de possuir as mulheres freneticamente e por isto elas o evitam. Corre o risco de violar uma mulher e isto será a sua destruição.
É amado de forma apaixonada por uma mulher, mas vive pensando noutra que não o quer e se insistir será destruído por ela.
A pessoa quer fazer mal a três pessoas e se o fizer só criará problemas para si
mesma.

Teve uma enfermidade nos órgãos genitais que pensa estar curada, mas que ainda pode ressurgir.
Deseja separar-se do seu cônjuge, mas deve agir com muita cautela para que não venha a ocorrer uma fatalidade.
Se for feita em Ifá, seus irmãos de culto desejam causar-lhe um dano. Deve prestar atenção para não ficar doente do sangue.
Para prosperar não pode negar nada a ninguém.

Deve seguir uma única religião para não acabar enlouquecendo. Folhas do Odu: Ewe ayo, ewe ekisan e framboesa.
Aqui Oxun come duas galinhas pintadas. Coloca-se uma cruz de cedro em Orunmilá.
O Ôsun do Awo deste Odu come um galo junto com Egun.


 

 

EXU NANGBE

13 ataré, três grãos de milho, uma moeda de prata, pó de ejá, obí, orogbo, etc.

Assenta-se num otá de pedra porosa e lava três anzóis e três ekodidés no alto da
cabeça.

 

Em osogbo arun, neste Odu, sacrifica-se um etú dundun para Egun, limpa-se, assa- se e coloca-se embaixo da cama do enfermo. Depois de três dias despacha-se no mato.
Tem que tomar borí com peixe fresco de rio. Oferece-se comida à Oxun nas águas de um rio. Sacrifica-se galo para Exú e Ogun.

 

TRABALHO PARA A LOUCURA

Oferece-se um pombo branco à cabeça da pessoa e outro para Exú. Despacha-se no local determinado pelo jogo.

 

CÂNTICO DO ODU:

Ogunde arere ire bombo lokpa Ogun Onile, Ogun Walona, Ire bombo lokpa arere.


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I I I IRETEUNFÁ

 

REZA DE IRETEUNFÁ

Ireteunfá akoko oxe aro biriwo dogodó aiyá koxeká bi ajé adifafun oun Babalawo xelé eré lebó. Kaferefun Exú ati Iyalode.

Este Odu é filho de Irete com o Odu Oxe.

Seu verdadeiro nome não deve ser pronunciado porque traz uma grande carga de negatividade cada vez que é dito.
É neste caminho que o homem mata para roubar.

A pessoa não pode se descuidar de dores físicas, por mais insignificantes e suportáveis que sejam.
Este Odu espalha a morte sobre a terra, mata as mulheres grávidas, não crê em nada e faz o mal por simples prazer.
Quando este Odu chegou à Terra, a primeira coisa que fez foi abrir as portas para a morte dizendo: "Ago Ikú abilé".
Para livrar-se uma pessoa da morte, passa-se no seu corpo: nove velas, nove pedaços de carne bovina, nove pedaços de coco seco, nove pedaços de pano de cores diferentes e uma boneca de pano. Despacha-se no cemitério.
Este é o caminho do coche fúnebre manobrado por Alujá e que transporta os cadáveres para o cemitério.
Onde este Odu entra, sai com um cadáver. O pássaro deste signo é o rouxinol.
É um signo de cerimoniais fúnebres. Aqui nasceu a deformidade de Osain.
Quando este Odu traz osogbo arun numa consulta, durante um período de sete dias não se pode sacrificar animais machos de nenhum tipo.
Faz-se uma cerimônia como se fosse um axexê, com tudo o que a pessoa tiver quebrado ou rasgado dentro de sua casa, faz-se um círculo de cinzas ao redor desses objetos, marca-se este Odu e sacrificam-se duas pombas (fêmeas) em cima.


 

Aqui Yewá tentou destruir o mundo e, para evitar que tal coisa acontecesse, tiveram que fazer um ebó com nove bonecas de cinza.
Quando este Odu surge num atefá, joga-se água em Orunmilá e sacrifica-se, para ele, imediatamente, uma galinha preta, para evitar que o mal arrase com a casa.
Tem que oferecer uma cabra gorda e que já tenha procriado para Orunmilá. Orunmilá reclama da pessoa que não se apega a ele.
Assinala separação familiar e que alguma coisa foi perdida.

A pessoa anda ao lado da morte que a quer levar, no que é impedida pelo espírito de um parente morto. Precisa saber se este espírito e de homem ou de mulher, se for de um homem, tem que lhe oferecer um galo e se for de mulher, uma galinha, para que a pessoa não venha a morrer.
A pessoa é um tanto quanto racista, no entanto, existe alguém de outra raça que lhe quer muito e que poderia lhe fazer feliz.
Fala de tuberculose, problemas do peito, da garganta e das pernas. A pessoa deve cuidar-se muito bem nestes aspectos.

 

EXU ALUWONAN

Este é um Exú muito velho e poderoso, é servidor de Segbo Lisa (Obatalá para os fon) e se assenta com uma pedra recolhida numa mata.
Em sua carga coloca-se: Terra de casa, terra da rua, terra recolhida num pé de iroko, três ikins, quatro búzios, quatro pedaços de azeviche, um pedaço de marfim, pó de ekú, pó de ejá, iyefá rezado deste Odu, bejerekun, obí, orogbo, osun, sete pedaços de diferentes madeiras litúrgicas (de Exú), 21 diferentes folhas de Exú.
Monta-se numa cabeça de tabatinga e enfeita-se com sete búzios e um eleké de
Orunmilá.

Come galo branco e vive em companhia de Obatalá.


 

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IRETEFUN IRETEFILE

 

REZA DE IRETEFUN

Iretefile maferefun Xangô, Orunmilá malu iyamodé iyemureo. Xangô kabiesile, ori onle okunin bibelona, iyamode obinin lodê agogô meji la Ifá axekun otá. Kole ni adio Ojale Orunmilá Unxi xé ebó. Malu Xangô adobale.

Este Odu é filho de Irete e de Ofun.

Aqui os homens aprenderam a domar os cavalos e usá-los como bestas de carga e
de tiro.

Nasceu a hérnia escrotal.

Ensina que os Babalawos, Babalorixás e Ialorixás não devem sentar-se em praças
públicas.

A pessoa deve usar gorro preto e vermelho e colocar travessões atrás da porta de
casa.

O que se promete não se cumpre se não se fizer ebó. Tem que por pó de ekú e de ejá em Exú.
A pessoa dorme mal durante a noite e acorda muito cedo. Se perde por seus próprios caprichos.
Gosta de cantar e de dançar.

Não deve viajar para fora de seu país.

Deve cumprir os preceitos  de  Ifá e  seguir,  diariamente,  as orientações  que  lhe der
Orunmilá.

As pessoas deste signo devem respeitar os pombos, não podem matá-los nem comer
sua carne.

Os filhos deste Odu têm como missão, tocar tambor. Devem tocar o ilú maior, que emite um som que supera ao dos demais.
No pé esquerdo de seu tambor deve prender um chocalho feito com nove guizos de
cascavel.


 

Sacrifica-se um novilho para Xangô nas margens de um rio. Com os  chifres se prepara um ogue carregado e enfeitado com contas de Xangô.
As pessoas deste Odu, quando quiserem saber quem são seus inimigos, devem pegar um prato branco e acender seis velas dentro dele. Quando as velas terminarem, a cera derretida deixará formado o rosto do inimigo.
Tem que ter cuidado com um carro na esquina de sua rua. Costuma queimar a comida que cozinha.
Ouve ruídos durante a noite, mas não deve assustar-se porque são produzidos por Eguns que a protegem.
Não deve molhar-se na chuva.

Depois de encontrado este signo, a pessoa que se consulta deve abster-se de carne durante sete dias.

 

TRABALHO PARA SE CONQUISTAR A FELICIDADE

Pega-se uma cabra keke e, com um pano vermelho faz-se sarayeye na pessoa. O bicho é solto com vida na beira de um rio.

 

PARA CONSEGUIR DINHEIRO

Prepara-se um pirão de farinha de milho branco, tempera-se com mel e coloca-se um ekó. Come-se um pouquinho e arria-se do lado direito da porta de casa. Despacha-se no dia seguinte no local determinado pelo jogo.

 

EBÓ

Pega-se um pombo branco, amarra-se um pedacinho de fita branca na asa direita e de fita vermelha na esquerda, passa-se na pessoa e solta-se com vida.
Para que este ebó surta efeito, antes de fazê-lo, tem-se que colocar pó de ekú para Egun e oferecer-lhe uma cabaça com aguardente e uma vela acesa


 

 

DESVENDANDO OS SEGREDOS DE IFÁ PARTE XV

 

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I I    I I OXE MEJI

 

REZA DE OXE MEJI

Oxe Aladaxe Onibarabaniregun, Ifá Moloku Tiane, xenxé Moloku adifafun Oxun.

 

Este é um Odu masculino, filho de Atié e Athie.

Seu nome em yorubá (Oxe), evoca a idéia de quebrar, partir, separar violentamente.

O signo possui na verdade, o poder de dobrar o objeto antes de parti-lo em dois, por este motivo, é representado esotéricamente, por uma Lua crescente com as pontas viradas para baixo.
Comanda tudo o que é quebradiço, quebrado, decomposto, malcheiroso, putrefato, como a comida estragada e tudo o que se encontra em processo de decomposição.
Representa a metade do mundo correspondente ao oriente.

As articulações e juntas são provenientes dele e diversas doenças como os abcessos e a varíola são de sua regência.
Os nagôs o chamam também, para melhor eufonia, de Oji Oxe.

Oxe Meji teria cometido incesto com sua mãe e, por este motivo, foi expulso para
outra terra.

Para os fon (jêje), Oxe Meji é a própria representação de Sakpata, a varíola e está ligado, de forma muito íntima, às Kenesi1.

 

 

  1. - Espíritos malvados que praticam a feitiçaria, correspondentes às Ajé dos Nagôs.

 

 

Aqui nasceu o hábito de grelhar os alimentos.

Nasceram as árvores, as presas dos elefantes e a galinha d'angola.

Este Odu está em guerra constante com seu irmão Irete Meji, por  este motivo, sempre que surgem juntos, seja qual for a posição que ocupem na figura formada, o nome do Omo Odu resultante deste encontro não deve ser pronunciado dado a enorme carga de negatividade da qual é portador.
Em seus sacrifícios, exige sempre, 16 unidades de cada coisa a ser ofertada.

Ao contrário do que se afirma, os filhos deste Odu não tem cargo sacerdotal dentro do culto dos Orixás. Oxe Meji exige que seus filhos cuidem dos Orixás, mas somente dos seus Orixás.
Prenuncia perdas de todos os tipos e em todos os setores da vida.

Apesar de ser portador de muita negatividade, pode trazer riqueza e longevidade.

Proíbe aos seus filhos comerem qualquer tipo de alimento grelhado ou tostado, carne de perdizes, galinha d'angola, galo e obí de mais de dois gomos. Somente podem comer o obí de dois gomos que não pode ser aberto com as mãos nem serve para os procedimentos ritualísticos.
Não podem tocar em madeira apodrecida, carregar feixes de lenha sobre a cabeça, nem usar roupas de três cores ou mais.
Têm que ter muito cuidado para não sofrerem acidentes dentro de suas próprias
casas.

A discrição é a sua grande arma.

Aqui nasceram também, os ovos, o firmamento e a prata. As folhas deste Odu são o afoman e as folhas do inhame.
Foi neste caminho que se jogou pela primeira vez o okpele sobre a esteira. Ensina que quem se consulta com o okpele deve pagar por isto.
Este Odu criou os ungüentos e os perfumes.

Seus companheiros constantes são o pranto, a tristeza, o sangue e o trabalho, por isto fala sempre deles.
Os filhos deste Odu não são compreendidos pelas demais pessoas, só eles sabem aquilo que realmente querem.


 

Devem cuidar muito bem do seu sangue, pois têm uma tendência muito natural de adquirirem enfermidades no mesmo.
São espiritualizados e excelentes adivinhos. Possuem um Egun que lhes fala o que precisam saber, mas sua maior força está em Orunmilá e Oxun.
São curiosos e gostam de se meter no que não é das suas contas, por este motivo, são propensos a se envolverem com a justiça, ocasionando sofrimentos para eles mesmos e para outros.
Sendo adivinhos de nascimento, seus olhos conseguem ver muito além dos outros.
São desconfiados e dificilmente alguém consegue enganá-los.

Normalmente sofrem do coração, do sangue, das pernas do estômago e, sendo mulher, da barriga.
Aqui nasceram os ossários  por isto, este Odu preside às exumações.

As mulheres deste Odu possuem uma dotação especial para a  adivinhação   através
das cartas.

Quando era pequenino, Oxe Meji foi abandonado nas margens de um rio e ficou ali por muito tempo, andando de um lado para outro até encontrar alguém que lhe desse abrigo.
As pessoas deste signo são repudiadas pela própria família que não lhe  têm a mínima consideração nem o menor reconhecimento
Podem ser traídas pelos melhores amigos. São filhos de Oxun ou de Obaluaye.
Foi neste Odu que se jogou búzios pela primeira vez.

Assinala feitiçaria, amarrações, briga em família, e separação de irmãos. Se for homem tem que fazer Ifá, se for mulher tem que fazer o Santo.
Os homens têm que tratar muito bem às mulheres e ter muito cuidado com o que lhes dizem para não serem mal interpretados.
Devem ouvir e seguir os conselhos de suas mulheres e jamais forçá-las a fazer sexo. As mulheres não podem viver cortando os cabelos.
Proíbe a seus filhos colocarem cabaças para Iyansã. Assinala estado de loucura transitório.
A pessoa tem a proteção de Xangô e deve usar roupas vermelhas.


 

Não pode fazer promessas a Obaluaye.

A mulher não consegue manter nenhum homem em sua companhia porque eles não conseguem compreende-la.
Vive apaixonada por si mesma e só será feliz na companhia de um Babalawo. Disse Ifá:
A pessoa é perseguida por Oxun. Seu inimigo come na sua mesa.
Pode ser traído pela pessoa em que mais confia. Dê um colar e uma pulseira para sua mulher.
Compre    cinco    perfumes      diferentes,      deixe-os    diante     de    Oxun     e    use-os, alternadamente, somente nos lenços.
Tem a proteção de Olofin e de Oduduwa.

Existe rancor relacionado a um problema que já acabou.

Mande rezar missa para um parente morto e trate de despachar um Egun obscuro que a acompanha.
Existe alguém tentando fazer-lhe o mal.

A pessoa não gosta de perder, mas o Odu ensina que as vezes perdendo se sai
ganhando

Uma mulher grávida que mora ou visita a casa da pessoa, precisa fazer ebó para não ter problemas na hora do parto.
Deve cultuar Elegbara e se não o tem, deve tratar de assentá-lo

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IRETESÁ IRETEANSÁ IRETETOMUSÁ

 

REZA DE IRETESÁ

Iretetomusá kere Awo mowaye omó Xangô. Omó Oiyá Ayeni Ifá oni Babalawo omó Obajonko banjoko. Ifá Bajoko, Orixá Bajoko, yenjoko jeni Ifá iyereni kaferefun Xangô, maferefun Orunmilá.

Este Odu é filho de Irete e Osá.

Este é um Odu de infelicidade. A pessoa nunca foi feliz e quando encontra a felicidade, não consegue mantê-la e a perde rapidamente.
A pessoa é maltratada física e moralmente por sua própria família que, em geral, não aprova sua opção religiosa.
Aqui nasceu a desfiguração da beleza.

Por este caminho o mais velho não vê o menor crescer. O padrinho não chega a ver seus afilhados plenamente desenvolvidos.
A manada tem que ser bem guiada para que não se disperse. Assinala deficiência hormonal num dos cônjuges.
A pessoa, mesmo enfrentando oposição da família, tem que dedicar-se à sua religião, pois só assim logrará ser feliz.
Tem que controlar seus desejos sexuais, escolher bem seus parceiros, para não adquirir sífilis que poderá causar-lhe loucura.
Deve prestar  atenção especial com  suas pernas para não adquirir nenhuma    úlcera
incurável.

Se o pai já estiver morto, tem que buscar em Ifá, a forma correta de atender as necessidades de seu espírito.
Neste Odu coloca-se um pequeno tambor em Elegbara.

O osogbo deste Odu é a vaidade, por isto, o Awo deste signo não deve considerar-se melhor que ninguém.


 

Neste Odu a proteção vem da mulher, mas somente quando ela aceitar a religião do esposo, do contrário o casamento será um fracasso.
Neste Odu, ao receber awofakan ou akofá, se a pessoa não for feita no Santo, tem que assentar Oiyá. Se já for feita no Santo e não tiver Oiyá, deve assentá-la imediatamente.
Foi neste caminho que Olofin pediu a Xangô que fizesse ebó para salvar o mundo, tendo Oduduwa como testemunha.
Aqui se coloca uma mão de Ifá no igbá de Xangô para controle do poder.

Aqui Olodumare determinou que tudo o que existe sobre a Terra tem um tempo de vida e de duração, findos os quais, encontrará o seu fim.
A pessoa tem que tomar borí com ekú, ejá, ori e mel.

Para melhorar a situação, a pessoa deve colocar sete moedas na entrada de uma igreja, para que alguém as encontre.
Tem que evitar o excesso de bebida.

Aqui foi criada a parte da mojuba dos Babalawos em que se diz:

Axé bogbo Egun Ke Timbelorun. Axé Babá Ke Timbelorun.
Axé Yeye Ke Timbe Kirun. Axé Oluwo Ke Timbelorun.

Para se alcançar o poder, oferece-se quatro pombos ao Egun de Iyaré.

A mãe da pessoa tem que tomar borí com dois pombos brancos para que não morra em um ano.
Aqui fala de envenenamento por intermédio de frutas. Falam das baratas que podem trazer prejuízos à pessoa.
Quando este Odu surge em atefá, acende-se uma fogueira com distintos tipos de madeira dentro de uma mata, sacrifica-se um galo deixando seu sangue escorrer ao redor da fogueira e depois, joga-se seu corpo dentro do fogo. Quando tudo queimar, recolhem-se os ossos do galo para montar uma segurança para a pessoa para quem tenha saído. O padrinho  e o afilhado devem beber água na mesma quartinha para que não venham a se separar.


 

SEGURANÇA DE IRETESÁ

Uma quartinha de boca larga, um ramo seco, terra de cupinzeiro, lama de rio e do mar, ewe dundun (sempre-viva), ajékobale (Cróton amabilis), orquídea, atiponlá, ewe tabaté, pó de cabeça de pombo, pó de cabeça de pato, pó de cabeça de galo, pó de cabeça de codorna, pó de cabeça de gavião e pó de cabeça de periquito. Enfeita-se a quartinha com contas pretas e amarelas alternadas.
A pessoa tem que ter muito cuidado para não perder papéis de valor. Tem que oferecer pó de ekú, de ejá e epô pupá para Ogun.
Não deve brigar para não ser abandonada pela sorte. Não deve sentar-se em cadeiras quebradas.
O que tem que fazer deve ser feito sem demora. Não deve pegar chuva.
Quando sair de casa deve acender uma vela aos Eguns para que não a perturbem em seu caminho.
Não deve assinar documentos sem antes ler bem a sua minuta. Não devem comer frutas que lhe sejam dadas.
Tem que assentar Oduduwa e Obaluaye.

Neste caminho Olofin tomou o oponifá de Xangô porque este só vivia metido em festas e orgias.
A pessoa não pode comer alimentos quentes, salgados e picantes. Leva a culpa de atos praticados por outros.
Deve oferecer um ajapá e um galo para Xangô e depois colocar amalá bem quente direto dentro do igbá. Despacha-se, depois de três dias, no lugar indicado pelo jogo.
Assinala doenças cardíacas. Caminho de Iyansan.


 

I I  I
I    I
I I  I I
I I I IRETEKÁ

 

REZA DE IRETEKÁ

Ireteká omá ni ateká adifafun Inure, adifafun Ateká lebó, eiyelé, akukó lebó.

 

Este Odu é filho de Irete e Iká.

Assinala proteção de Oxóssi, Obatalá e Xangô. Aqui nasceram as figueiras e a meditação humana.
Neste Odu as pessoas se perdem pelo orgulho e a soberba.

O dono deste Odu, para sobrepujar seus inimigos, tem que assentar Osain com todos os fundamentos.
Todos os axés de segurança plantados por este caminho; têm que levar olhos de cobra e serem revestidos com pele deste animal.
Neste Odu os filhos de Xangô são escorraçados. Fala da luta da água com a areia.
Quando Olokun quis expandir seus domínios tentando invadir a terra com as águas do oceano, foi impedido por uma enorme formação rochosa.
Depois de consultar Ifá, e de acordo com suas orientações, Olokun ofereceu um ebó com um galo, um arpão, um anzol, uma vara de pesca e um samburá e, desta forma, as águas de tanto baterem contra as rochas, conseguiram pulverizá-las, transformando-as em areia, e assim, o mar estendeu-se um pouco mais sobre a terra.
Assinala que a pessoa vive uma luta constante pela vida e que não tem descanso nem de dia nem de noite.
Tem que assentar Olokun e as ferramentas do ebó ficam no assentamento. A pendejeira era doce, mas, para poder viver, teve que tornar-se amarga.
A pessoa, por possuir bom coração, só tem sofrido desilusões, assumindo cargas que não pode suportar ao tentar auxiliar os outros.
Tem que deixar de assumir os problemas alheios para ter um pouco de paz e tranqüilidade em sua vida.


 

Para as dores do peito, toma-se chá de folhas de pendejeira.

Assinala graves problemas familiares que só serão resolvidos se a pessoa, abandonando tudo, for viver longe de seus parentes.
A pessoa tem que aprender a não agir com soberba e violência, pois isto a levará à destruição total.
Existe uma coisa que a pessoa deseja obter e que só conseguirá com o auxílio dos
Orixás.

Tem que mudar sua maneira de agir em relação aos Orixás, colocando mais  firmeza e assiduidade nesta relação, pois, a forma como vem agindo com eles não é satisfatória e só tem lhe prejudicado.

 

EBÓ EM IRETEKÁ

Um galo, abi weré (ybanthus enneaspermus), ferramentas de trabalho, água do mar, areia da praia, um pedaço de arrecife, osun, uáji, efun, obí, orogbo, pó de ekú e de ejá e muitas moedas.

 

 


 

I I  I
I I  I
I  I I
I I I IRETEBATRUKPON.

 

REZA DE IRETEBATRUKPON

Iretebatrukpon Awo Guele, Awo Obadé aditá oun Oxá oguiriná tiô lo guiyá, tinlo bini omá bini omá guegueré ejélé lebó, owo la mefá tontiefá, eiyelé, akukó lebó.

Este Odu é filho de Irete e Oturukpon.

O dono deste signo é Obatalá Ajagunan.

Para prosperar a pessoa não deve comer inhame. Não podem comer galinha d'angola nem milho.
Está doente dos rins por vontade de Xangô e Elegbara.

Assinala que para nascer, o corpo humano recebe um espírito que Ikú leva na hora em que bem entender.
Os filhos deste Odu têm que assentar Oduduwa e Osain.

Neste caminho Osain come, de quando em vez, três pombos junto com Egun. Ogun e Xangô comem um galo junto com Elegbara.
Assinala agressão física da mulher contra o marido. Assinala impotência no homem.
A pessoa sofre dos rins, do estômago, dos intestinos e sente dores abaixo da cintura. Tem que oferecer um pargo à cabeça e ficar sete dias sem comer peixe.
Tem que bater folhas de bredo sem espinhos na porta de casa e depois sacrificar um galo para ela.
Tem que fazer ebó com uma galinha de cor que depois é cozida e levada para um rio.
Na volta a pessoa toma banho com omieró feito com cinco diferentes ervas da Oxun. Neste Odu devem-se sacrificar, de vez em quando, três pombos para Egun.
Conta que a berinjela, o quiabo e o tomate tinham um inimigo tão poderoso que não os deixava prosperar.


 

Preocupados foram consultar Ifá que lhes prescreveu um ebó que somente  a berinjela e o quiabo fizeram.
É por isto que os pés de quiabo e de berinjela atingem uma altura muito maior que   o
de tomate.

A pessoa tem que fazer ebó para livrar-se de um inimigo que não a deixa prosperar.

 

EBÓ

Um galo, duas galinhas, embiras, uma cesta, um otá. A pessoa entra no local onde será feito o ebó com o galo e as duas galinhas amarrados pelos pés com as embiras, e pendurados nos seus ombros e a cesta com a pedra dentro na sua cabeça. Coloca-se tudo no chão e procede-se ao ebó normalmente.

 

Fala de enfermidades na garganta.

A pessoa já não suporta mais a carga que leva sobre as costas. Tem uma coisa atravessada na garganta que não a deixa viver feliz.

 


 

I    I
I I  I
I  I I
I    I
IRETURÁ IRETESUKANKOLA.

 

REZA DE IRETETURA

Iretesuká apekankolá adifafun Akuperu oguere, odé obinin, kpaye obinin awá nifá Obarabaniregun mojeré ejebé. Ifá Orunmilá lorugbo.

Este Odu é filho de Irete e Otura. Assinala calúnias.
Obatalá se embaraçou nas ramagens de inhame que tinha plantado em sua casa e, por este motivo, desprezou a Terra.
Neste caminho o Axé de Osain ultrapassa Orunmilá. A pessoa tem cabeça de rei e cérebro de criança.
Este Odu é da Terra Madadá onde as pessoas não compreendiam o que falavam. Oduduwa e Orun tiveram que estabelecer seus cultos nesta terra onde vivia o povo denominado "Senalú" que, ainda hoje, fala uma língua que ninguém consegue compreender.
As pessoas deste signo sofrem muito por causa dos próprios filhos. Sofrem desgostos com seus compadres e comadres por causa dos filhos.
Não devem confiar seus filhos aos cuidados de ninguém para não perderem seu
amor.

Aqui a cotia queria saber o que Orunmilá falava e golpeou sua cabeça com o irofá.

É por isto que, no culto de Orunmilá, antes de se sacrificar a cotia, golpeai-se sua cabeça com o irofá para que fique tonta.

 

TRABALHO PARA CALAR A BOCA DOS INIMIGOS

Pega-se uma língua bovina, espeta-se 21 agulhas e pendura-se num pé de iroko, dizendo que ali ficam secando as línguas dos inimigos e pedindo a Xangô que se livre das mesmas.
Usa-se raiz de afomam para reter a evolução do câncer.


 

Assinala problemas nos Órgãos reprodutores da mulher que podem se manifestar em forma de quistos ou hemorragias incontroláveis.
Tem-se que assentar Ibeji.

Neste caminho a criada passa a ser senhora e dona de tudo.

A pessoa tem que ter cuidado para não roubarem suas roupas. Aqui Obatalá foi preso e amordaçado.
Oferece-se galo branco a Obatalá.

Tem que fazer ebó com uma cabeça de cotia.

Aqui o igbá de Oxóssi fica em cima de um pilão de amendoeira. Neste Odu Obatalá come peixe fresco com inhame pilado.
Orunmilá e Xangô comem juntos peixe defumado cozido com amalá.

Para fazer-se mal à uma pessoa neste Odu, pega-se um peixe fresco, marca-se Iretetura em seu corpo, tempera-se com muito ataré moído e oferece-se a Egun em nome da pessoa.
Para o bem, pega-se um peixe fresco, marca-se Iretetura, passa-se dendê, ori-da- costa e pó de efun, limpa-se o corpo da pessoa diante de Egun cantando:
Egun Baraniku,

Ikú Bawá ebanijé awayara, Ikú lade are Egun Agujerun awalere.
Depois disto, oferece-se o peixe a Egun com inhame assado, milho torrado e amalá
ilá.

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I I  I
I I  I
I  I I
I    I
IRETEWORIN IRETE WAN WAN

 

REZA DE IRETEWÓRIN

Iretewónrin Odubiri fobó adifafun Orunmilá Obarabaniregun wanká win win Osain yoro yoro.

Este Odu é filho de Irete e Owónrin. Aqui foram criados os jardins.
Nasceu o axé e as energias contidas nas flores.

Faz com que os perfumes das flores se estendam sutilmente.

O otá de Elegbara, neste Odu, é recolhido nos pés de uma árvore na beira de um rio. O pica-pau, com seu canto, descobre onde está o seu ninho.
Fala de rios transbordantes e de redemoinhos.

O Elegbara deste Odu leva três facas, por ter vivido em três terras diferentes. Assinala viagens a lugares distantes.
Fala de uma mata onde vive um Egun que reconhece a pessoa pelo seu assobio. Assinala a existência, em casa, de uma bengala ou bastão de um familiar morto. Para que a pessoa possa prosperar, tem que morar numa casa que tenha jardim. Ter somente os Guerreiros assentados não lhe é suficiente.
Este Odu traz calvície para seus filhos. Assinala sufocamentos e falta de ar.
Assinala doenças que provocam escamamento da pele.

A pessoa tem que cuidar muito bem de seus próprios filhos.

Deve oferecer presentes às águas do rio e tratar com muito respeito aos filhos de
Oxun.

Assinala fraqueza sexual no homem, e nas mulheres, debilidade nas pernas.


 

Se o pai do cliente for vivo, saindo este Odu, pode ser que venha a falecer dentro  de
um ano.

Quando este Odu sai em atefá para um iniciando, o padrinho pode vir a morrer dentro de um ano.
O Awo tem que dar um cabrito a Elegbara para evitar qualquer malefício. Não se permite a ninguém assobiar na porta de casa.
A pessoa é incrédula e chega à religião por simples curiosidade. Não segue os conselhos de ninguém nem faz nada do que lhe mandam e, quando se vê enrascada, quer fazer tudo de uma só vez, mas aí já é tarde demais.
Tem uma filha, na qual se projeta. Se deseja vê-la feliz, mande-a fazer ebó e não permita que vá ao rio.
A mulher está grávida e o filho que carrega não é de seu marido.

Existe um elevador que pode representar um grande perigo para a pessoa. Este Odu proíbe que se possuam pássaros presos em gaiolas.

 

EBÓ EM IRETEWÓRIN

Um galo, um pombo, uma corrente, milho e moedas.


 

I    I
I I  I
I I  I I
I I I IRETEBARA IRETEOBÁ

 

REZA DE IRETEBARA

Irete Obá bijé lodafun Orunmilá, Iyalode ati Obinin. Akukó, owunkó lebó, intorí Ikú, intorí arun, afie lebó. Maferefun Xangô. Kaferefun Oiyá.

Este Odu é filho de Irete e Obara.

A pessoa não deve guardar dinheiro nos bolsos.

A pessoa tem órgãos deslocados e tem que fazer ebó com nervos de boi. Assinala a presença de sífilis.
A pessoa tem que buscar a sorte na rua.

Está  sob  ameaça  de  um  inimigo  que  pretende  queimar  sua  casa  e  destruir sua
família.

Um efeminado pode estar apaixonado pela pessoa. A pessoa não cumpre o que promete.
Sacrifica-se dois galos no pé de iroko, um de um lado, para Xangô, o outro do outro lado para Oduduwa.
A mulher tem três amigos que são inimigos de seu marido. O seu segundo amor é seu maior inimigo.
Está gravida de um homem com que se relacionou ocasionalmente e que não é seu marido nem seu amante.
Tem que ter muito cuidado para não adquirir sífilis numa relação sexual.

A pessoa tem muita sorte e isto é motivo mais do que suficiente para que tenha muitos inimigos. Deve ter muita cautela.
Se for convidada para uma festa ou um almoço, deve evitar que lhe toquem no rosto, pois é desta forma que será enfeitiçada.
Se for Awo, Babalorixá ou Iyalorixá, pode sofrer um desgosto com um filho-de-santo ou um parente dele.


 

A pessoa é protegida por alguém que merece sua total consideração e apreço. Está sendo seguida pela morte.
Deve ter cuidado com a sífilis ou com infecção numa das pernas.

Tem que cuidar bem de Elegbara e dar comida a um Exú na esquina de sua rua. Se tiver que viajar deve ter cuidado para não regressar sob pranto.
Seus negócios andam mal.

Existe uma pessoa que vai convidá-la a um lugar qualquer onde lhe fará um feitiço para que adquira chagas nas pernas. Isto tudo por pura inveja.
Tudo o que a pessoa planeja, os outros desbaratam por inveja.

Sua vida está atrasada porque costuma maltratar suas mulheres. Se quiser progredir deve mudar de atitude diante delas. Sua sorte depende de tratar bem às mulheres.
O descontrole sexual pode ser a sua destruição física e moral, quer seja homem ou
mulher.

Neste Odu Obaluaye foi expulso da Terra Lukumí porque, tendo se relacionado sexualmente com Baiyani, transmitiu-lhe sua doença.
A pessoa tem que se mudar do lugar onde vive pois, enquanto ali permanecer, não dará nem um passo na vida. Para que possa mudar, tem que fazer ebó.

 

TRABALHO PARA A IMPOTÊNCIA

Passa-se um nervo de touro no corpo da pessoa, sacrifica-se um ajapá sobre o nervo, em cima de Xangô. Raspa-se o nervo, mistura-se com vinho seco e ovo de gansa. Toma- se um cálice pela manhã.


 

I I I
I  I
I  I I
I  I
IRETEKANRAN

 

REZA DE IRETEKANRAN

Irete Kana berinlé bagogun bagbisan irun bogbo laodo laure akperé lorugbó.

 

Este Odu é filho de Irete e Okanran.

O Awo deste Odu deve cuidar da inveja de seus irmãos de Ifá que tudo farão para prejudicá-lo.
Foi neste caminho que tentaram levar a mulher de Iretekanran para o mal caminho.

Quando o Awo encontra este Odu numa consulta para si próprio, sua mulher deve ficar sete dias sem sair de casa para não se envolver em algum problema.
Este Odu fala de problemas matrimoniais e separação dos cônjuges. Assinala perda de memória.
Foi aqui que nasceram as traições amorosas. Os filhos deste Odu gostam de provocar ciúmes. O signo proíbe fazer ou tomar juramentos.
A vida impõe provas e castigos.

A pessoa veio à Terra para expiar faltas cometidas em vidas anteriores.

Quando este Odu surge num atefá, o padrinho tem que oferecer uma cabra a seu Ifá para que a negatividade trazida não chegue a ele.
Quando o Awo encontra este signo em sua própria consulta, deve dormir sete dias com um gorro branco e amarelo.
Assinala família numerosa.

A pessoa freqüentou o espiritismo de mesa, mas seu caminho é no culto de Orixás. Em sua casa tem que haver Babalawos e Babalorixás.
Aqui nasceu o costume de golpear-se a borda do opon com o irofá. Assinala traição de afilhados.


 

Aqui Olofin estabeleceu um concurso de percussão e o Ajapá, para poder participar, roubou o tambor do Leopardo e, levando-o diante de Olofin, tocou-o de forma tão brilhante que recebeu um prêmio.
O Leopardo, cansado de procurar por seu instrumento, ficou de tocaia no caminho da casa de Olofin, esperando todos os que haviam ido lá tocar tambor.
Quando o gatuno voltava, o Leopardo, reconhecendo o seu tambor, investiu contra ele, dilacerando-o com suas garras poderosas e o Ajapá, para livrar-se da morte certa, jogou o instrumento sobre seu dono, fugindo e escondendo-se no mato.
É por isto que, até hoje, pode-se ver as marcas deixadas pelas garras do Leopardo sobre o corpo do Ajapá.
A pessoa deve evitar mexer no que não lhe pertence para não passar por grandes decepções e vergonha.
Aqui Omolú contraiu as doenças malignas de que é portador, por não querer obedecer às orientações e conselhos dos mais velhos.

 

 

 


 

I    I
I    I
I  I I
I I I IRETEGUNDÁ IRETEKERDA IRETEKUTAN

 

REZA DE IRETEGUNDÁ

Iretegundá Kutan Obá Aiye. Orixá bi Kolé Orun ofé leí toxo Orixaye Osogbe Ile Axukpá, Awo Umbo bogbo Orixá Isalaye kolé, Aiye Obá, bogbo tenujé elebó erindilogun.

Este Odu é filho de Irete e de Ogundá.

É Orixaoko que faz com que a Terra produza os alimentos que sustentam os homens e por isto, devem restituir um pouco daquilo que recebem.
Quando sai este Odu numa consulta com okpele, o Awo deve jogá-lo para trás sobre seu ombro esquerdo.
Se sair este Odu na iniciação de um homem de idade avançada, significa que sua obrigação com Ifá já está cumprida. Ele deve adorar e cultuar Ifá, mas não pode mais trabalhar com ele para que possam viver um pouco mais.
Aqui nasceu a sepultura de Ogunda Meji aberta por seu discípulo Oxeomolú e guardada até hoje por Iretegundá, que canta para ela:
Iretekedá iwole arareo ni oun bakoye.

Nasceu a decomposição dos cadáveres e de toda a matéria orgânica. Nasceu Oku Lobó Osixá Inton Egun.
Aqui Omolú come carne de cervo.

Fala o Espírito de Agamú que, saindo das entranhas da Terra ensinou aos homens que os Deuses se alimentam com o sangue dos sacrifícios.
Este Odu recebe o nome de Alewajade, o exorcizador das folhas. É ele quem tira das ervas a maldição que Obatalá lhes lançou.
Assinala problemas dentro de casa.

Existe uma disputa por causa de um terreno.

A pessoa deseja encontrar um caminho novo e separar-se de algo de que não está de acordo, ou então, existe alguém querendo livrar-se de sua tutela.


 

Na casa da pessoa baixam Santos que nem sempre dizem a verdade.

A pessoa vive lamentando-se, mas não gosta de consultar-se nem fazer ebó.

Possui três inimigos que desejam  prejudicá-la, mas que não sabem  fazer ebó    para
isso.

Neste Odu Obatalá trocou o cão pelo ganso.

Fala de uma traição de parte de uma pessoa a quem se acolheu dentro de casa. É preciso muito cuidado para não passar um vexame por causa disto.
Para se evitar este problema, coloca-se, dentro de casa, um cachorro branco, pequeno, oferecendo-o a Obatalá.
Neste Odu nasceu o costume de se oferecer aos Orixás, as vísceras (axés) dos animais a eles sacrificados. Nestas vísceras estão a vida, a morte e todo o bem. A doença, as perdas e as confusões, estão nas carnes dos animais. Por este motivo, não se pode comer nada de dentro destes animais.
A pessoa sofreu um feitiço e, por este motivo, vive por viver, sem nenhuma motivação e sem nada aspirar da vida. Tem que fazer trabalhos para se livrar deste estado de desinteresse.
Tem que tomar três banhos para limpar-se, um por dia.

O primeiro banho, de corpo inteiro (inclusive a cabeça), com folhas de ewe ekisan (verdolaga), ewe tabate (Rompesaraguey), afomam, canela sassafraz, ewe ayo (Guacalote), ewe yá (Gossypiospermum criophorus), ewe yeye (Spondias cironella), ewe waákika e yamao.
O segundo (do pescoço para baixo), com folhas de aberikunló.

O terceiro com folhas e flores de onze horas, (incluindo a cabeça). Neste caminho falam Obatalá e Oxun.
A pessoa tem que assentar Orixaoko.

Existe uma maldição lançada pela própria mãe.

Quando um Awo é roubado ou prejudicado de alguma forma, os outros Babalawos invocam este signo sobre o oponifá, fazem a sua reza e depois sopram o iyerofá mentalizando os arajés.
As pessoas deste signo não devem encarar no rosto de nenhum defunto para não serem perseguidas pelo mesmo.
Têm que dar comida à porta de casa para que a sorte que ali está parada possa
entrar.


 

Neste Odu, quando se dá borí a alguém, tem-se que ter muito cuidado para que a negatividade daquela pessoa não afete o oficiante.
Iretegundá é o coveiro de toda a sua família.

Para que venha a sorte, coloca-se um cesto de frutas embaixo da cama e, no dia seguinte, se despacha no mato.
Para obter-se prosperidade, oferece-se uma espiga de milho à qual não falte nenhum grão e sacrifica-se um preá à Elegbara.
Leva-se Elegbara a uma mata e, debaixo de um pé de acácia sacrifica-se-lhe um
galo.

Para espantar Ikú sacrifica-se, para Orunmilá, quatro galinhas, sendo duas brancas, uma preta e uma amarela.

 

TRABALHO PARA TIRAR ALGUÉM DA PRISÃO

Coloca-se um rato vivo dentro de uma ratoeira com um pedaço de papel branco onde se escreveu, por sete vezes, o nome completo do preso e sua data de nascimento.
A gaiola fica ao lado de Elegbara, sobre uma tábua (Atena Ifá) onde se riscou e rezou os Odu através dos quais Orunmilá engana a justiça dos homens: Oxetura, Otruponbará Ifé e Iretelogbe. Esta Atena Ifá deve ser marcada com pó de efun misturado com otí, por cima se joga pó de três pimentas da guiné. Durante três dias acende-se uma vela para Elegbara pedindo a libertação do preso. No terceiro dia, se pergunta a Elegbara se o rato é dado a elegbara ou se é levado até a porta do presídio e solta-o vivo.

 

TRABALHO PARA DERROTAR OS INIMIGOS

Pega-se uma lata com tampa e coloca-se, no seu interior, algumas pedrinhas pequenas e papéis com os nomes dos inimigos escritos sete vezes cada um. Durante três  dias, à meia-noite em ponto, sacode-se a lata como se fosse um chocalho, diante do Orixá que se encarregar do problema, com uma vela acesa, pedindo-se a destruição dos inimigos.
No terceiro dia, depois de soar o chocalho diante do Orixá, toca-se novamente na porta de casa e, em seguida, joga-se o chocalho no meio da rua.

Este trabalho pode ser feito em qualquer Odu de Ifá

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MARCELO ROSSI ALBUM COMPLETO 1998

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I I  I
I I  I
I I  I I
I I I IRETEYEKU

 

REZA DE IRETEYEKU

Ireteyeku abadá bi abadá. Abadá bi abadá adifun wenwelé xé letixoma aiyá lorugbo. Koru oka axenu babá adifun Olonoxé unatin omó weré ogu ti biele.

Este Odu é filho de Irete e Oyeku.

Aqui nasceu a hérnia de disco, as fraturas da coluna vertebral e todas as suas deformações.
A pessoa gosta muito de se consultar com entidades "viradas". Deve ser um pouco mais cuidadosa e perguntar a Ifá se pode fazer os que estas entidades lhe mandam.
Precisa usar um cordão de ouro preparado e consagrado, o que assegurará a sua
boa sorte.

Se for homem tem que fazer Ifá e se já tiver feito, Olofin e Orunmilá estão sempre ao seu lado dando ordens e orientações.
Pode ser vítima de um falso testemunho.

O verdadeiro ebó do Awo deste Odu; consiste em pegar seu Ifá e passá-lo em volta de sua própria cabeça. Desta forma livra-se de todo e qualquer osogbo.
A pessoa deve visitar locais abandonados, principalmente igrejas.

Foi por este caminho que começou-se a enterrar os mortos dentro das igrejas.

A pessoa para quem saia tem que mandar rezar missas para os familiares e   amigos
mortos.

Aqui Orunmilá derrotou a todos os macumbeiros.

Aqui os arará carregam os Axés de Omolú dentro de cestos.

O Awo deverá colocar o opon sobre sua cabeça, rezar os dezesseis meji além deste Odu e regar toda a casa com omieró, usando para isto o irukere de Ifá, enquanto canta:
Tataregun mogun mojoko nifá.


 

Assinala que, por inveja, os Orixás se uniram em guerra contra Orunmilá. Olofin interviu e fez com que acabassem com os embates e, quando todos foram se desculpar, Orunmilá lhes disse: Eu os perdôo e agradeço, pois graças à esta guerra adquiri muito mais conhecimento, experiência e sabedoria.
A pessoa, para afastar o mal, deve passar a mão sobre a cabeça desde a testa até  a
nuca.

Foi aqui que, por não seguir as orientações de Orunmilá, um general teve seu exército derrotado e dispersado pelo inimigo, não podendo, jamais, voltar a reuni-lo.
Avisa que, na hora do perigo, os aliados da pessoa a deixarão sozinha.

A pessoa não pode carregar pesos sobre a cabeça para não sofrer acidentes que venham a prejudicar sua coluna ou adquirir uma hérnia de disco.
Este é um Odu de muita felicidade.

A pessoa não deve continuar vivendo no local onde mora porque não é ali que encontrará a felicidade. Neste lugar só poderá conhecer a destruição.
Vive nas trevas e tem que buscar a luz da religião para que possa seguir em frente, em busca da felicidade.
Não deve usar presentes que lhe sejam dados, pois podem ter sidos trabalhados para a sua destruição.
Esta figura assinala impotência no homem.


 

I I  I
I    I
I  I I
I I I IRETEIWORI IRETEYERO
IRETEYERUGBE IFÁ

 

REZA DE IRETEIWORI

Ireteyero Orunmilá lorubó to iban Exú. Telebo ibo kobo Babá Olorun. Babá adukpé to iban Exú.

Este Odu é filho de Irete e Iwori.

Aqui os Awo colocaram todo o seu dinheiro no ebó e, ao ver o que se passava, Orunmilá lhes perguntou com que iriam viver.
Assinala que existe gente trabalhando às escondidas para roubar uma mulher. Aqui fala o cupinzeiro.
Aqui o pavão real diz: Com um só dos meus ovos que atire, destruo o mundo. Tudo o que entra na casa do Babalawo, é Orunmilá quem leva.
Aqui nasceu a economia e as agências bancárias. Nasceu a matemática.
Falam os espíritos dos caboclos. Deve-se oferecer-lhes flores. O filho de Obatalá era muito desobediente.
A pessoa deve refrescar-se com um leque de penas de pavão para redimir-se de seus pecados.
Este Odu indica que a pessoa tem que fazer Ifá.

O Awo deste signo só deve iniciar sete pessoas em Ifá, porque depois da sétima começa a perder as suas forças. Se Orunmilá lhe der permissão pode, depois de fazer os ebó necessários, fazer mais seis pessoas e nenhuma mais.
Neste caminho existiam dezesseis pavões reais, mas de todos, só treze se salvaram, os outros sucumbiram nos caminhos da vida.
Aqui os homens descobriram o compasso e o esquadro para aperfeiçoarem o círculo e o quadrado.
A pessoa será sempre perseguida pela inveja e pela traição.


 

No seu quadro espiritual existe um Egun cujo fundamento ninguém jamais conseguirá decifrar, pois, cada vez que se apresenta, o faz de forma diferente.
A mulher que tenha este Odu em Ikofá, sendo filha de Xangô, não deverá jamais, viver na companhia de um Babalawo, pois isto ocasionará sua morte.
A pessoa se enamora de alguém que possui defeitos físicos ou morais e isto provoca muitos comentários negativos.
A mulher para quem saia este Odu sofre a influência de prostitutas que já morreram e que fazem com que seja desmazelada consigo mesma.
Tem que oferecer um galo caipira à sua cabeça para não perder a memória por
completo.

Aqui nasceu o costume de se podarem as árvores. Nasceram os funerais cercados de pompas e luxo.
Os filhos deste signo têm que raspar seus corpos de dez em dez dias e podar as árvores de suas casas todos os anos.
O Awo deste Odu tem que prestar juramento em Orun3.

Tem que receber Osain, Oduduwa, Olofin, Olokun, Orixaoko, Omolú e Pinado o mais rápido possível porque, muito em breve, se distanciará de seu padrinho. 4 - O termo "receber" aqui empregado, tem um sentido diverso daquele que lhe é dado dentro do Culto de Orixás no Brasil, significando, de forma mais correta, "assentar".
É um Odu mensageiro, através do qual, Oxun traz suas mensagens exatamente ao
meio-dia.

Fala de enfarte do miocárdio, problemas na vesícula biliar e nos ossos. As doenças sempre começam por baixo.
A pessoa não deve maltratar a nenhuma menina que esteja debaixo de seu domínio ou de seu marido.

 

 

  1. - Cerimônia de graduação dos Babalawos.

 

O Awo deste signo, depois de haver feito o juramento em Orun tem que, de vez em quando, invocá-lo à meia-noite em ponto, escrevendo seu Odu no seu próprio peito e fazer sacudimento com um pombo cantando:
Shenxe biku, biku Lorun, Egun Orun Ikú awalode.
Orunmilá bawá, Orunmilá mawá.

Depois disto sacrifica o pombo ao teto da casa ou num pé de cabaceira, toma banho com folhas de alfavaca, marpacífico, orikpepe e afomam (Pithecolobium samam).
Em seguida, oferece à sua cabeça, obí, água fresca, carne bovina e uma cabeça de peixe fresco e dorme numa esteira diante de Orunmilá. O carrego é despachado num rio.
Deve cuidar muito bem de Osain e de seus fundamentos e jamais separar-se deles.

 

SEGURANÇA EM IRETEIWORI

Ori pikotó (Didymopanax morototoni), um pedaço de couro de tigre, casa de marimbondo ou de vespa (um pedaço), pó de ekú, de ejá, dendê, milho seco e dezesseis penas de ekodidé.

 

TRABALHO EM IRETEIWORI

Monta-se um boneco cujo tamanho corresponda à distância compreendida dos pés à cintura da pessoa. O boneco é carregado com ori de três pintos de peru, colmilho, pele de tigre, minhocas, cabeça de pavão, o pênis de um cachorro preto, cabeças de dois peixes, abelhas, um osso de obinin, cabelos de uma mulher morta, ekodidé, morcego, folhas de bredo, de guaco, ewe ni (Yindigofera suffruticosa), ewe olobutojé (Pinhão roxo), cardo santo, iroko, e ébano. Come carneiro e ajapá.
O Awo deste signo não pode viver com mulher que seja filha da Oxun porque, mais cedo ou mais tarde, ela pode ocasionar a sua morte, ao conhecer outro homem que a amarrará com feitiços para que vá viver em sua companhia.
Este Odu é capataz de Egun. Através dele, Oxun Ekin Orun vem para conduzir ao Orun as almas daqueles que acabam de falecer e Awo Ekun Akalamgbo é o seu mensageiro.
Neste caminho os pais isolam suas filhas do mundo para que ninguém as vejam nem as namorem. Quando o pai assume esta atitude, a filha se vai com o primeiro que aparece.
Neste Odu a mulher dá borí no marido e o homem na mulher.


 

No dia em que a mulher vai dar borí em seu esposo, não pode realizar nenhum tipo de trabalho doméstico em sua casa.

 

CÂNTICO DO ODU

Ojikí jikí otá lo mi ô. Ojokí jikí otá lo mi ô. Ojokí jikí agbado okumá. Ojikí jikí ota lo mi ô!

 

 

 

 

 

 

 

 


 

I    I
I I  I
I I  I I
I    I
IRETEDI IRETEUNTEDI

 

REZA DE IRETEDI

Irete Untedi amadá nimi adifafun awan lori tanxelú alare osi amudi Awo Borí Osá Ifá ni kaferefun Olofin, Iyemanjá, Obatalá, Orunmilá ati bogbo kaleno Oxá.

Este Odu é filho de Irete e Odi.

Nele nasceu a hipocrisia e o acúmulo anormal de soro em qualquer parte do corpo. Foi neste caminho que Elegbara trocou tudo por um saco cheio de chifres.
Aqui Osain comia bode e ficava debilitado. Então, juntava os chifres para montar uma segurança atrás da porta.
Neste Odu os criados e os escravos limpam seus amos.

É um Odu de aborrecimentos. Para não sofrer aborrecimentos a pessoa deve medir bem as suas atitudes.
Aqui Oxun reclama mais atenção para uma filha sua que se encontra abandonada por alguém que não cumpre com suas obrigações em relação a ela.
Neste caminho oferece-se ganso a Ogun e pato à Iyemanjá.

Tem-se que colocar uma bandeira preta e branca atrás da porta para evitar a epidemia que vem por baixo da terra e que ataca as vias respiratórias.
Proíbe a pessoa de viver em casas altas ou apartamentos.

As pessoas deste signo devem usar o idé de Elegbara. Para elas isto é de vital importância.
Assinala problemas cardíacos. O cliente deve ser orientado para procurar o médico e evitar o sal.
Têm líquidos em excesso em seu organismo e seus pés, por este motivo,   costumam
inchar.

Este Odu fala com mais ênfase das pessoas iniciadas em Ifá a menos de quinze
anos.

É caminho de Iyemanjá e de Oxun.


 

A pessoa tem que colocar limpa-pés na entrada de sua casa para que todas as pessoas que ali vierem; deixem o mal que trazem consigo naquele local.
Ifá ordena que todos os Babalawos, Iyalorixás e Babalorixás se unam para que não se percam os fundamentos religiosos dos Orixás.
Iyemanjá ordena que se cuide muito bem das crianças, principalmente daquelas abandonadas e, quando for necessário, que se lhes façam o Santo.
Fala da guerra entre Osain e Orunmilá que é a guerra entre os Babalosain e os Babalawos pelo poder de cura através dos vegetais.
A pessoa dorme espalhada na cama.

Neste Odu o dinheiro sujo deve ser trocado por dinheiro limpo. Aqui nasceu Kolé Mosá que tem a forma de um dragão.
Assinala dívidas com Omolú por causa de uma criança.

Em osogbo significa que Oxun está brava com a pessoa por haver cometido uma falta contra uma de suas filhas.
A pessoa tem que se cuidar para não ser atingida por um feitiço que alguém lhe fez.
Não deve confiar em ninguém.

Deve ter cuidado para não adquirir algum tipo de doença sexual.

Tem que pegar todos os seus utensílios de vidro ou de louça que estejam lascados ou estalados, colocá-los na esquina e regá-los com aguardente para derrotar seus arajés.
Em osogbo assinala caminhos fechados e é preciso, para abri-los, fazer ebó muito
bem feito.

Para que nenhum mal entre em sua casa, é preciso despachar a porta, todos os dias, com água fresca.


 

I    I
I    I
I I  I I
I I I IRETEROSUN IRETELOSO

 

REZA DE IRETEROSUN

Ireteloso adifafun Oba Ikú, Inle Arere, Ogun Arebe, Obaluaye Oba Egun lese, Iguí Oba Telé omó Egun, lodafun Orunmilá. Kaferefun Egungun.

Este Odu é filho de Irete e de Irosun.

Foi neste caminho que os Awo prepararam uma armadilha para a babosa e ela, invocando os quatro ventos, logrou salvar-se.
Proíbe brincadeiras com armas, sejam brancas ou de fogo, uma vez que preconiza a possibilidade de se matar alguém acidentalmente.
Assinala problemas nas pernas que podem ser sanados com o sacrifício de uma franga a Elegbara. O igbá de Elegbara é colocado ao lado de um cano qualquer e a franga, depois de passada nas pernas do interessado é sacrificada encostada aos seus joelhos, sobre o assentamento.
Neste Odu, fazem-se curas em honra a Osain. Prepara-se o axé com pó de carvão vegetal, sete moscas trituradas e iyefá rezado deste Odu. Fazem-se três pequenas incisões superficiais em cada omoplata, rezam-se os dezesseis meji, o signo da pessoa e Ireteroso e aplica-se o axé sobre os cortes.
Neste Odu Xangô feriu Oxun.

Manda que a pessoa, quando for resolver algum problema, leve três igbíns e que os deixe no local para que tudo se resolva a contento.
Indica que a pessoa que se consulta está ou ficará doente da cabeça. O signo deve ser apagado e prepara-se um omieró de folhas de ewe uró (Sálvia) para lavar-se a cabeça da pessoa. Pega-se em seguida um galo caipira, oferece-se à cabeça da pessoa e solta-se vivo.
O Awo deste signo tem que colocar um barquinho de iguí yáita (Bassia albeenses) dentro da sua segunda mão de Ifá.
O grande problema deste signo é que nele, nunca se tem segurança de nada. Aqui, Iyemanjá puxa para um lado, Oxun para outro e Obatalá para outro mais.


 

Significa dizer que a situação é sempre instável e a cada três dias pode mudar de forma radical e imprevisível.
A pessoa sofre a ação de um trabalho que lhe fizeram com mel e vegetais, para que deixe sua casa e abandone sua família.
Obatalá manda que a pessoa não beba nada que contenha álcool para não sofrer graves conseqüências.
A pessoa é imitada sem qualquer sucesso para quem a imita.

Neste Odu coloca-se uma moeda de ouro em Oxun para nunca mais tirar.

A pessoa deve ter muito cuidado ao lidar com fogo pois existe o risco de se queimar acidentalmente.
É muito inteligente e astuta, toda vez em que pratica algum mal, o faz tão bem feito que não deixa qualquer pista e outra pessoa leva a culpa do acontecimento.

 

TRABALHO PARA A CABEÇA

Um galo caipira, raiz de coral, curralinho, tudo bem triturado. Sacrifica-se o galo para Xangô deixando o ejé escorrer sobre a cabeça da pessoa antes de cair no igbá.

 

Neste Odu, leva-se Osú para o quintal, sacrifica-se uma franga para ele e despeja-se epô quente por cima e depois água fresca. Deixa-se três dias do lado de fora. Este trabalho serve para que a casa da pessoa não seja desfeita.

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I I I I I I I I I I I OTURAXE REZA DE OTURAXE Oturaxe Baba Yengue idá kudá irú kukú isé kuté obere ketá oni Babalawo to iban Exú. Axé Olofin Iyá kudá irú kurú isé kuté obere kutá ono Babalawo. Lodafun Orunmilá ise kuté oiyere nifá to iban Exú. Este Odu é filho de Otura e Oxe. Saúda-se cantando: Oxe be, Oxe be Axé to. Oxe be kebofi komadura. Axé to Oxe be to iban Exú. Este Odu assinala que foram cumpridas as determinações de Olofin. É caminho de Obatalá. Aqui o afilhado, por ocasião da morte do padrinho, herda o seu Axé. Neste Odu, o padrinho tem que dar os direitos ao afilhado, caso contrário, o Egun que acompanha o afilhado pode matá-lo. É Odu de Babá Egun. Aqui a mulher tenta dominar o homem. Coloca-se inhame para Obatalá. Para Xangô oferece-se banana-da-terra e fruta-do-conde. Para salvar um casamento, oferece-se um pombo às cabeças do marido e da mulher. Na mesma noite têm que fazer sexo. Aqui nasceu o reflexo dos três seres que acompanham o ser humano durante a vida. O eleké de Orunmilá do Awo deste Odu tem que levar um pedaço de osso da mão direita de um Egun. Quando se faz ebó de opon por este Odu, enquanto se roda o ebó sobre o tabuleiro com a mão esquerda, com a direita vai-se jogando iyerofá em cima dele, sempre cantando a cantiga acima descrita. Este Odu é da Terra Fulani. A pessoa deve ter uma imagem de Buda em sua casa. A pessoa adormece em qualquer lugar que se encontre. Tem dificuldades para assimilar e aprender. É protegida por um espírito chinês. Tem costume de sentar-se no chão com as pernas cruzadas como fazem os chineses. Sofre de tiróides. Deve ter cuidado com hérnias abdominais. Tem problemas de cabeça que podem ser retardamento mental ou psicose. Tem que cuidar-se clínica e espiritualmente. Deve evitar uma situação embaraçosa ocasionada por roubo ou aberração sexual. Pode ter problemas com pessoas invertidas de ambos os sexos. Deve usar as unhas crescidas para aumentar a sua sorte. I I I I I I I I I I I OTURAFUN OTURA ADAKOÍ REZA DE OTURAFUN Otura Foká adafase adafata, ewe odafafá akpa Orun adifá kokan ori, preté korugbo awaté borí exesí orugbo exesí meje. Este Odu é filho de Otura e Ofun. Aqui nasceram as secreções nasais. O inimigo da pessoa é imperfeito. Aqui fala a flor da morte. Avisa que um amigo ou parente vai ser preso. Os favores escravizam o homem e podem até matá-lo. Caminho de Obatalá, Iyemanjá, Oxun e Ogun. Quando se vê este Odu, arruma-se o dinheiro da consulta sobre o okpele. Este Odu determina que a pessoa tenha que fazer Ifá, receber kuanado, assentar Iyansã, Osain e Omolú. Quando este Odu surge em atefá, a primeira coisa que se faz é lavar as duas mãos de Ifá com omieró, depois, quando terminar o Itá, o padrinho, o Ojugbona, o Obá e o Awo têm que tomar borí com uma cotia. Depois a cotia é defumada e se espalha pela casa para que vá se desfazendo, e assim, afastando as moléstias que este Odu-Ifá traz para as autoridades sacerdotais que participam das cerimônias em que ele surja. Neste Odu, seja qual for a mensagem, tem-se que fazer ebó para garantir a sorte. EBÓ EM OTURAFUN Dois pombos brancos, duas cervejas brancas, dois ekú, duas favas de ataré. Depois de feito o ebó tem que dar borí para que a sorte seja garantida. Quando surge este Odu num jogo de okpele, passa-se epô no okpele antes de continuar a consulta. Quando surge num jogo de ikin, passa-se epô nas mãos, lava-se com omieró, seca- se e depois continua-se a consulta. Este Odu assinala que a pessoa é violenta e pode até matar. A coisa mais importante para as pessoas deste Odu é o sono. Quando um filho deste Odu estiver dormindo, para despertá-lo, tocam-se suavemente os pés para que não se torne violento. Este é um Odu de negociantes, onde tanto se obtêm a riqueza como a miséria repentinamente. O dono deste Odu tem que oferecer uma cutia a Obatalá para livrar-se das maldições. Oferecem-se duas galinhas pretas a Orunmilá para que o Awo não se prejudique. Neste Odu nada morre sem antes adoecer. Faz-se ebó com uma língua bovina temperada com cânhamo e milho seco e oferece- se um pombo branco à cabeça. O dono deste Odu tem que dar comida a um rio, depois, enfia a mão na água e retira uma pedra que será a base do fundamento de um assentamento que terá que fazer um dia. DESVENDANDO OS SEGREDOS DE IFÁ PARTE XIV REZA DE IRETE MEJI I I I I I I I I I I IRETE MEJI Ejelembere akoré ajaré Eyelembere ladifá Ejelemere asarei fenixe ki Ifá Aje adifafun Orunmilá. Adifafun Oxun. Adifafun poroyé. Este é o 14º Odu na ordem de chegada do sistema de Ifá. É um Odu masculino, filho de Elemere Wasá e Olomú. Segundo os nagôs, Irete é conhecido também como Oji Lete ou Ori Ate, que significa: "Iporí da Terra" Em yorubá o termo Irete significa: "A Terra consultou o Ifá". Irete é um signo da Terra (Ile em yoruba e Akungba em fon) e de domínio terrestre, desta forma, tudo o que está morto lhe pertence. Sob sua égide nasceram os abcessos, os furúnculos, a varíola, a lepra e uma febre eruptiva e mortal conhecida como "Nutité". Este signo não deve jamais ser mencionado na companhia de Oxe Meji. "Bokonon ma do o" (Um adivinho jamais pronuncia este nome), o que significa dizer que os amolu gerados pelo encontro destes dois signos, não podem ser mencionados pelos seus verdadeiros nomes. Representa a personificação de Omolú e uma das principais interdições que impõe aos seus filhos é de matarem formigas. O Awo deste Odu tem que ser muito corajoso e necessita fazer ebó em si mesmo com muita constância, para livrar-se da influência negativa dos seus arajés. Sempre sabem com antecedência o que lhes irá acontecer de bom ou de ruim. Irete Meji recebeu de Olodumare o poder de ressuscitar os mortos, por este motivo enfrenta e insulta Ikú que nada pode fazer contra ele. As pessoas de Irete Meji têm a proteção incondicional de Oxóssi e de Omolu. Este Odu recebe e distribui sobre a Terra, tudo o que se pode desejar da vida. Dizem que tem um pé na terra e outro no mar, por isso, acredita-se que vibre com muita intensidade na beira-mar. É um Odu muito forte, marca vida longa e assegura longevidade para seus filhos. Suas folhas ritualísticas são: Ewe ejé (Sangüinária) e orikpepe. Aqui se forma o corpo astral e o perispírito. Faz-se itutu1 ainda em vida. O iyefá deste Odu leva pó da casca do coco de dendê. Neste caminho as mulheres andam em busca de carinho. É um signo onde amor e alegria andam lado a lado com tristeza e pranto. Aqui Elegbara presenteou Olofin com uma coroa com dezesseis caurís, dezesseis ekodidés e dezesseis pulseiras de marfim. O Awo deste Odu oferece um galo a Elegbara dentro de um cesto. Neste caminho Orunmilá avisa ao Awo a chegada de sua morte com dezesseis dias de antecedência. Os filhos deste Odu são pessoas cheias de graça e dulçura e, por isto, costumam ser vaidosas e suas palavras em relação aos outros costumam ser cheias de ironia e sátira. As pessoas podem facilmente ser enganadas por eles. São descrentes de tudo, consideram-se insubstituíveis, acham que ninguém os merece, mas sofrem muito em decorrência de seu próprio orgulho. Gostam de viver e de vestir-se com certo luxo e vivem gabando-se e exaltando suas qualidades, achando-se superiores aos demais. São incapazes de sacrificarem-se por quem quer que seja e só se esforçam se tiverem a certeza de obter alguma vantagem. Quando se sentem feridos em sua vaidade, tornam-se perigosos, sendo capazes até de matar. Não se arrependem do que fazem nem do que dizem. Suas respostas são como punhais que ferem profundamente e jamais se desculpam dos erros cometidos. 1 - Cerimonial fúnebre. É um Odu de riquezas, este é seu ire, mas sempre traz contrariedades e armadilhas. Seu osogbo provoca escassez e necessidades. Neste Odu imperam Oxun, Ogun e Nanã Buruku. Coloca-se um pedaço de chifre de veado no ikofá. Aqui nasceram as forças das mãos e dos dentes. Fala Logunedé. Foi neste caminho que Ogun ficou embrutecido e ensina porque os filhos de Ogun não interpretam Ifá. Ensina que anteriormente todos os ogues2 pertenciam a Ogun. É este o Odu que deve ser riscado atrás da porta de casa quando se sacrifica pombo para espantar axelú. Assinala uma enfermidade nas pernas que pode ocasionar paralisia. Quando surge numa consulta, oferece-se 16 akarás a Olofin e durante 16 dias faz-se rogações e dorme-se com um gorro verde e branco. Sacrifica-se duas codornas para Xangô. Com os corpos, retiradas as cabeças, faz-se um pó que deve ser misturado ao sumo de folhas de romero para ser friccionado nas pernas em caso de enfermidades nestes membros. As cabeças das aves ficam no igbá de Xangô. Por este Odu Xangô nasceu em Takpa, conquistou outras terras e por quatro vezes foi coroado rei. Ensina que o primeiro a fazer Santo na Terra foi Oduduwa e que Orunmilá o iniciou em Ifá. Por este motivo o primeiro a levantar a tesoura e a navalha deve ser o Babalawo. Neste Odu Ogun e Osain se unem, da mesma forma que Olokun e Osain. Assinala que a pessoa que se consulta tem que fazer Santo ou tomar obrigação antes que decorra um ano. Ordena que se aprenda as cantigas de Orunmilá. A pessoa tem vocação musical. Proíbe que se coma galinha. O Awo tem que colocar um pé de veado em seu Ifá. 2 - Chifres A pessoa é incomodada por ruídos inexplicáveis em seus ouvidos, mas isto é um dom que deve ser desenvolvido. Tem que ter cuidado com úlceras nas pernas. Proíbe a seus filhos abrirem buracos ou cruzá-los. A pessoa tem que preparar um dispositivo de defesa em honra de seu Orixá, que é feito da forma que se segue: Pega-se três lenços, sendo um branco, um amarelo e um azul, amarra-se uns aos outros pela pontas e deixa-se em cima do Santo, usando-se sempre que houver necessidade. Determina que se tenha muito respeito a Ogun e à Oxun. Se for homem deve cuidar muito bem de sua mulher e de sua filha. A sorte do homem aumenta na medida em que cuida do Orixá de sua mulher. A mulher da sua vida é filha de Oxun. Tem uma filha que não conhece, feita em suas andanças pela vida quando, sem saber, engravidou uma mulher. O ponto fraco do seu organismo é o estômago. SEGURANÇA DESTE ODU Coloca-se dentro de uma cabacinha: Terra de quatro esquinas, um pouco de lama do fundo de um rio e uma pedrinha retirada do mesmo rio. Sacrifica-se uma galinha sobre a cabacinha e coloca-se atrás da porta. EBO PARA VENCER IKU Carne bovina, igbín e pó de ekú. Este ebó tem que ser feito à noite. I I I I I I I I I IRETELOGBE IRETEUNTELU IRETE ENTEBE MORE REZA DE IRETELOGBE Irete Entebe more abiri kolo omolubo abata ati Kotopó omó lubo owará yaniyé omolubó meta laba pari ati meta laba merin lodafun Igbani, lodafun Laniyé. Este Odu é filho de Irete e Ogbe. O Awo deste signo tem a virtude de conseguir burlar a justiça. Aqui foi onde Osain levantou a mão contra Orunmilá, e o bode, defendendo Orunmilá, agrediu a Osain. Por este motivo, até hoje, Osain não pode com Orunmilá. As pessoas deste signo não devem prestar favores, pois ninguém lhes demonstrará gratidão. Quando surge este Odu, sopra-se água por três vezes e depois otí, também por três vezes, na porta de casa. A pessoa deve evitar alimentos muito condimentados, enlatados e embutidos, pois tem tendências a sofrer das hemorróidas. Aqui nasceu Obatalá Yeku Yeku. É caminho de Baiyani. Aqui nasceu o toque de agogô em honra de Obatalá e o motivo pelo qual se cobre Obatalá com algodão, ori e efun. Não se deve permitir a permanência de estranhos dentro de casa. A pessoa não deve permitir que donzelas durmam em sua casa em trajes sumários, pois pode perder a cabeça e cometer uma violação. Sua casa é governada por Obatalá. Não pode pisar em cinzas nem em sangue. Não deve cortar ervas depois das 18 horas. Fala de violação sexual. A planta deste Odu é o iguí fun (Simaurobo glauca), também conhecida com "Pinhão florido" Se oferece oito igbín a cada mão de Orunmilá. Indica que a pessoa pode ser presa, mesmo que seja por engano, mas, que no fim, tudo se resolverá de forma satisfatória. Proíbe matar formigas. Para a impotência, toma-se chá de ewe yila (Thumbergi fragans) com pau de resposta e obí ralado. Determina que Olokun deva ser assentado numa tigela. Assinala fenômenos marinhos, como ressacas que fazem com que o mar, aliado à Ikú, invada a terra e venha retomar o que um dia já foi seu. Assinala falta de respeito e de consideração do afilhado pelo padrinho. Fala de atividade sexual. A mulher que tem este Odu tem tendências à prática da prostituição, ou é mulher fácil e de vida sexual desregrada. Os donos deste signo podem morrer pelo uso excessivo do álcool. Quando o Awo encontra este signo numa consulta, depois que o cliente sai, deve limpar-se com um galo e perguntar se precisa fazer ebó. Se for necessário, depois que fizer, o ebó é despachado na esquina de sua rua porque é ali que seus inimigos estão lhe fazendo feitiços. Assinala avareza e vaidade. A pessoa faz de tudo para que seus filhos se casem com pessoas de dinheiro ou de posição elevada, embora não exista amor. Isto trará infelicidade e revolta que ocasionarão muitos problemas no relacionamento da pessoa com os filhos. A pessoa teve duas mães, uma que a criou e outra que a pariu. Se não recebeu a devida atenção do pai, e se ele já for morto, deve oferecer um bode velho para obter sua ajuda e proteção. Este Odu traz doenças tais como: cirrose, problemas intestinais, hemorróidas, infecções da garganta, problemas com o sangue e com os ossos. As folhas deste Odu são: Ewe laxéo, (Cordia collococa), ewe tete (Bredo sem espinho - Amaranthus viridi) e ewe sansan (Espécie de trepadeira da família das corcubitáceas cujas flores se assemelham ao jasmim). A pessoa deste signo, seja de que forma viva, sempre será vítima de inveja e de calúnias. Foi amaldiçoado quando ainda estava no ventre de sua mãe. Assinala, no homem, coágulos de secreções na próstata. Neste caso a ingestão de bebidas alcóolicas pode ser fatal. Se a pessoa cuidar corretamente de Ifá, dos Orixás e dos Eguns, poderá possuir tudo o que desejar em sua vida. Tem que ter cuidado para não ser roubado, quer seja em bens materiais, por pessoas vivas, quer seja em sua sorte, pelos mortos. Deve evitar que uma pessoa de vida torta pernoite em sua casa. Isto acarretará problemas com a justiça. Aqui a babosa roubava de Obatalá que, depois de fazer ebó com cinzas e otí, logrou descobrir o ladrão. Para acabar com a coceira que sente na garganta, a pessoa deve fazer gargarejos de ewe sansán (Trepadeira da família das corcubitáceas cujas flores se assemelham ao jasmim) com a água da quartinha de Oxun. Para assegurar a tranqüilidade e a segurança de sua casa, deve colocar dois cascos de igbín atrás de sua porta. Deve ter uma bandeira branca em sua casa, pois, independente do Orixá de sua cabeça, sua casa é governada por Obatalá. Aqui Elegbara quis apoderar-se de três diloguns que não lhe pertenciam e, para isto, usou de todos os meios, chegando a praticar verdadeiras atrocidades, não respeitando a ninguém nem a nada, conseguindo finalmente, seu intento. Apesar de todo o mal que praticou, não sofreu nenhuma punição por parte de Olofin. Por este motivo o jogo de Elegbara tem 21 búzios. Aqui nasceu a virtude de burlar a lei e a justiça. Ensina que o ewe sasán é posto em Ifá e, por este motivo, em caso de doença, serve para curar a pessoa, seja qual for o mal que a aflija. A pessoa deve ter muito cuidado para não receber uma fruta ou um cigarro trabalhado para lhe ocasionar o mal. Este Odu é caminho de Abíkú.

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